12 de março dia do Bibliotecário.

12 de março dia do Bibliotecário Livros, artigos, teses, dissertações… Tantas formas de alcançar o conhecimento desejado! O caminho até a informação se torna mais fácil com a ajuda de profissionais tão dedicados.

 No início o bibliotecário desempenhava um papel de guardador – conservador do conhecimento. Com o aumento da massa documental e as necessidades seletivas do usuário no universo da informação, o bibliotecário transferiu seu foco de atividades de guarda para o de domínio de assunto, conteúdo do documento (informação). Mais recentemente, esse profissional vem se deparando com a automação da informação. As novas tecnologias facilitaram as atividades da categoria, porém trouxeram o desafio de transformar-se de figura estática e passiva em um profissional agressivo e dinâmico, abrindo leque a atividades como de consultores, indexadores e especialistas da informação (Paiva, 1990).

 Em outros termos, o que faz um bibliotecário? É um ser humano que por meio de sua atividade estimula sonhos, imaginação, desejos, e encantos nas pessoas. Motiva a tomada de decisão; a busca de alternativas; e as opções de novos caminhos. Incentiva sorrisos, alegrias, o bom humor para vida. Enriquece ideias, incita criatividade e inovação. Orienta os olhares para novos fatos, reflexão da realidade, descobertas que promovam o desenvolvimento humano. Possibilita encontros, agrega pessoas com interesses comuns, gera contatos e parcerias que ampliam horizontes de oportunidades. Com seu trabalho o bibliotecário contribui para tonificar os gestos humanos nas relações e comunicações entre as pessoas, possibilitando a melhora da expressão. Precisamos fortalecer este sentimento da parte do usuário.  É o caso do poeta Carlos Drummond de Andrade, cujos versos do poema “Campo de Flores” são dedicados à bibliotecária Lygia Fernandes, um amor que ele conheceu na Biblioteca Nacional (1951), e que durou por 36 anos, até sua morte.

Campo de flores

       Carlos Drummond de Andrade

 

Deus me deu um amor no tempo de madureza,

quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.

Deus-ou foi talvez o Diabo-deu-me este amor maduro,

e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.

 

Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos

e outros acrescento aos que amor já criou.

Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso

e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.

 

Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia

e cansado de mim julgava que era o mundo

um vácuo atormentado, um sistema de erros.

Amanhecem de novo as antigas manhãs

que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.

 

Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra

imensa e contraída como letra no muro

e só hoje presente.

Deus me deu um amor porque o mereci.

De tantos que já tive ou tiveram em mim,

o sumo se espremeu para fazer vinho

ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.

 

E o tempo que levou uma rosa indecisa

a tirar sua cor dessas chamas extintas

era o tempo mais justo. Era tempo de terra.

Onde não há jardim, as flores nascem de um

secreto investimento em formas improváveis.

 

Hoje tenho um amor e me faço espaçoso

para arrecadar as alfaias de muitos

amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,

e ao vê-los amorosos e transidos em torno,

o sagrado terror converto em jubilação.

 

Seu grão de angústia amor já me oferece

na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia

os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura

e o mistério que além faz os seres preciosos

à visão extasiada.

 

Mas, porque me tocou um amor crepuscular,

há que amar diferente. De uma grave paciência

ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia

tenha dilacerado a melhor doação.

Há que amar e calar.

Para fora do tempo arrasto meus despojos

e estou vivo na luz que baixa e me confunde.

A R&A parabeniza todos os bibliotecários e agradece pelo compromisso em promover o acesso ao conhecimento.